terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Vinícius de Moraes

 Vincius de Moraes (1913-1980) foi um poeta e um dos maiores compositores da música popular brasileira, além de ter sido um dos fundadores da Bossa Nova, um movimento musical surgido nos anos 50. Foi também dramaturgo e diplomata.

Entre os seus maiores sucessos estão "Garota de Ipanema" que teve a letra escrita por Vinícius e a canção composta por Tom Jobim, em 1962

Marcus Vinícius Melo Morais, conhecido como Vinicius de Moraes, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 19 de outubro de 1913. Filho do funcionário público e poeta Clodoaldo Pereira da Silva e da pianista Lídia Cruz desde cedo já mostrava interesse por poesia.

Ingressou no colégio jesuíta Santo Inácio onde fez os estudos secundários. Entrou para o coral da igreja onde desenvolveu suas habilidades com a música. Em 1928 começou a fazer as primeiras composições musicais.

Faculdade de Direito

Em 1929, Vinicius iniciou o curso de Direito da Faculdade Nacional do Rio de Janeiro. Em 1933, ano de sua formatura, publicou seu primeiro livro de poemas, O Caminho Para a Distância.

Nessa época, já era amigo dos poetas Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswaldo de Andrade.

Trabalhou como representante do Ministério da Educação na censura cinematográfica, até 1938, quando recebeu uma bolsa de estudos e seguiu para Londres, onde cursou Literatura Inglesa na Universidade de Oxford.

Trabalhou na BBC londrina até 1939. Em 1940, de volta ao Brasil, iniciou a carreira jornalística no jornal “A Manhã”, escrevendo uma coluna como crítico de cinema.

Carreira Diplomática

Em 1943, Vinicius de Morais foi aprovado no concurso para Diplomata e seguiu para os Estados Unidos, onde assumiu o posto de vice-cônsul em Los Angeles. Serviu sucessivamente em Paris, a partir de 1953, em Montevidéu, a partir de 1959 e novamente em Paris em 1963.

Vinicius voltou definitivamente ao Brasil em 1964. Em 1968 foi aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional Número Cinco. O compositor era malvisto pelo governo militar, pois era artista e bebia. Foi expulso do serviço diplomático, depois de 26 anos de carreira.

Poemas de Vinícius de Moraes

Vinicius de Moraes foi um poeta significativo da Segunda Fase do Modernismo. Ao publicar sua Antologia Poética, em 1955, admitiu que sua obra poética se dividia em duas fases:

A primeira fase carregada de misticismo e profundamente cristã, começa em O Caminho para a Distância (1933) e, termina com o poema, Ariana, a Mulher (1936).

A segunda fase, iniciada com Cinco Elegias (1943), assinala a explosão de uma poesia mais viril. “Nela – segundo ele – estão nitidamente marcados os movimentos de aproximação do mundo material, com a difícil, mas consistente repulsa ao idealismo dos primeiros anos.”

Seu grande tema foi o amor e suas múltiplas manifestações: saudade, carência, desejo e paixão. O "Poetinha", como era chamado, foi um escritor da modernidade amorosa como expressou no poema Soneto da Fidelidade (1946):

“De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vive-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quero saber a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

Ao englobar o “mundo material” em sua produção artística, Vinicius se inclina por uma lírica comprometida com o cotidiano, onde buscou os grandes dramas sociais do seu tempo. Um exemplo é o poema Rosa de Hiroshima (1954):

“Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima”. (...)


 

Teatro

Em 1956, Vinicius de Moraes estreou o musical Orfeu da Conceição, no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com cenário de Oscar Niemeyer e música de Tom Jobim. Foi o ponto de partida para a Bossa Nova.

Em 1959, o filme Orfeu do Carnaval, do francês Marcel Camus, baseado na peça de Vinícius, ganhou a Palma de Ouro de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro.

Carreira musical e parcerias

A carreira musical de Vinicius teve início em 1927, quando começou a compor com Paulo e Haroldo Tapajós, mas só se consolidou na década de 1950, com os momentos dos três grandes fundadores da Bossa Nova na música popular brasileira: Vinicius, Tom e João Gilberto.

Vinicius de Moraes
Tom Jobim e Vinicius

Cada vez mais voltado para a música, escreveu letras para músicas inéditas de Tom Jobim, como Lamento do Morro e Mulher, Sempre Mulher, gravadas em 1956. Entre outras músicas destacam-se:

  • Eu sei que vou te amar (1958) – escrita em parceria com Tom Jobim,
  • Chega de Saudade (1958) – letra de Vinícius e música de Tom Jobim,
  • Garota de Ipanema (1963) – letra de Vinicius e música de Tom Jobim, foi um dos maiores sucessos da dupla,
  • Minha Namorada (1964) – feita em parceria com Carlinhos Lira,
  • Arrastão (1965) – feita em parceria com Edu Lobo. Venceu o I Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior,
  • Samba em Prelúdio (1962) e Canto de Ossanha (1966) – feitas em parceria com Baden Pawell, que juntos produziram mais de cinquenta músicas.
  • Gente Humilde (1970) – música de Garoto, letra de Vinícius e de Chico Buarque.

A parceria com o músico Toquinho foi considerada a mais produtiva. Rendeu músicas importantes como Aquarela, A Casa, As Cores de Abril, Testamento, Maria Vai com as Outras, Morena Flor, Tarde em Itapuã, A Rosa Desfolhada, Para Viver Um Grande Amor e Regra Três.

Vinicius de Moraes
Vinicius e Toquinho

Vinicius também fez músicas para poemas seus, como Serenata do Adeus e Medo de Amar.

Vida pessoal

O lugar preferido da casa de Vinícius era a banheira, onde passava horas a fio escrevendo.

Nos shows, se apresentava sentado diante de uma garrafa de uísque. No final da vida, diabético, foi obrigado a trocar o malte pelo vinho branco. Mas jamais abriu mão de seu doce preferido, o papo-de-anjo.

Vinicius casou-se nove vezes e teve cinco filhos. O primeiro casamento, com Beatriz Azevedo de Mello foi o mais longo e durou onze anos.

Suas outras esposas fora: Regina Pederneira, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nellita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues e a última, Gilda Matoso. 

Vinicius de Moraes faleceu no Rio de Janeiro, no dia 9 de julho de 1980, quando compunha a trilha do programa infantil “Arca de Noé” devido a problemas decorrentes de um edema pulmonar agudo e o coração não resistiu.

Livros de poemas de Vinicius de Moraes

  • O Caminho Para a Distância (1933)
  • Forma e Exegese (1935)
  • Ariana, a Mulher (1936)
  • Novos Poemas (1938)
  • Cinco Elegias (1943)
  • Poemas, Sonetos e Baladas (1946)
  • Pátria Minha (1949)
  • Antologia Poética (1955)
  • Livro de Sonetos (1956)
  • O Mergulhador (1965)
  • A Arca de Noé (1970)

Teatro

  • Orfeu da Conceição (1954)
  • Cordélia e o Peregrino (1965)
  • Pobre Menina Rica (1962)

Prosa

  • O Amor dos Homens (1960)
  • Para Viver Um Grande Amor (1962)
  • Para Uma Menina Com Uma Flor (1966)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Augusto dos Anjos

 Augusto dos Anjos é tradicionalmente filiado ao Pré-Modernismo, movimento literário do início do século XX marcado por grande sincretismo cultural.

Augusto dos Anjos nasceu na Paraíba em 20 de abril de 1884. Faleceu aos trinta anos, no dia 12 de novembro de 1914, em Minas Gerais
Augusto dos Anjos nasceu na Paraíba em 20 de abril de 1884. Faleceu aos trinta anos, no dia 12 de novembro de 1914, em Minas Gerais



Augusto dos Anjos é considerado pela crítica literária o mais original dos poetas brasileiros. Basta ler alguns de seus poemas para comprovar a singularidade de sua linguagem e criação estética, elementos permeados por um profundo pessimismo e angústia moral.

Biografia de Augusto dos Anjos

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em Engenho Pau D'Arco, na Paraíba, em 20 de abril de 1884. Cursou Direito em Recife, mas não seguiu a carreira do pai: vivia de lecionar Língua Portuguesa em seu estado e, posteriormente, no Rio de Janeiro, para onde se transferiu em 1910 com sua esposa, Ester Fialho. Na capital federal, trabalhou na Escola Normal, no Ginásio Nacional e depois no Colégio Pedro II sem, contudo, conseguir efetivação como professor.

Em 1911, com a morte de seu primeiro filho, viveu a primeira grande tragédia de sua vida pessoal. Em 1913, mudou-se para Leopoldina, em Minas Gerais, onde também lecionou. Em 1912, foi publicado seu único livro, Eu, que, surgido em um momento de transição na Literatura Brasileira, apresentou características do parnasianismo e do simbolismo. Augusto dos Anjos faleceu aos 30 anos de idade, vítima de pneumonia, no dia 12 de novembro de 1914, na cidade de Leopoldina.

Características do estilo literário de Augusto dos Anjos:

As inovações temáticas e de estilo fizeram de Augusto dos Anjos um importante poeta brasileiro, embora tenha publicado apenas um livro ao longo de sua vida. O “mau gosto” do vocabulário rebuscado e científico, a dimensão cósmica, a angústia moral e o pessimismo de sua poesia – características encontradas em um de seus mais famosos poemas: Psicologia de um Vencido – tornaram-no um escritor sem igual na Literatura Brasileira, cuja vida e obra ainda despertam o interesse do público.

Psicologia de um Vencido



Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Prof

undissimamente hipocondríaco, 
Este ambiente me causa repugnância... 
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia 
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas 
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los, 
E há-de deixar-me apenas os cabelos, 
Na frialdade inorgânica da terra!

Essa poesia violenta que canta a miséria da carne em putrefação rendeu a Augusto dos Anjos o epíteto de “Poeta da morte”, dada a obsessão que o poeta nutria pelo tema. Esses elementos podem ser observados no poema Versos Íntimos:

Versos Íntimos


Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

 

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

 

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Assim como seus contemporâneos – Lima Barreto, Euclides da Cunha, Monteiro Lobato e Graça Aranha –, Augusto dos Anjos está filiado ao Pré-Modernismo, período da Literatura Brasileira marcado pelo sincretismo cultural, característica que o aproxima tanto do Simbolismo quanto do Parnasianismo, sendo, portanto, difícil classificá-lo em apenas um movimento literário. Para facilitar a compreensão de sua obra, os críticos literários convencionaram três diferentes fases de sua poesia: a primeira é marcada pelo Simbolismo; a segunda apresenta inovações temáticas e estilísticas (elementos que o consagraram), e a terceira aponta para um amadurecimento literário do poeta.

Além do livro Eu, Augusto dos Anjos deixou um grande legado para os poetas posteriores, sobretudo para os primeiros modernistas, que se valeram do antilirismo e da antipoesia como elementos que propiciaram a ruptura com a tradição literária vigente até a segunda década do século XX.

Álvares de Azevedo

 Álvares de Azevedo é um poeta da segunda geração romântica. Ele nasceu em 12 de setembro de 1831 e faleceu em 25 de abril de 1852. Era um poeta romântico típico, pois se entregou à melancolia, ao isolamento e ao tédio, enquanto vivia e escrevia suas obras. Morreu jovem, com 20 anos, e deixou poesias, uma peça de teatro (Macário) e uma novela (Noite na taverna), entre outros textos, publicados após a sua morte.

Suas obras são caracterizadas pelo subjetivismo, pessimismo, escapismo, morbidez, além da idealização do amor e da mulher. Características encontradas no seu livro mais famoso e apreciado pela crítica — Lira dos vinte anos, em cujo prefácio, o autor reconhece a materialidade da vida, apesar de a matéria-prima do poeta romântico ser o sonho. Em suas palavras: “O poeta acorda na terra”.

Biografia de Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo (Manuel Antônio Álvares de Azevedo) é um poeta do romantismo brasileiro que nasceu em 12 de setembro de 1831, na cidade de São Paulo. Sua família mudou-se, em 1833, para o Rio de Janeiro, onde, em 1845, o escritor começou a estudar no Colégio Pedro II, em regime de internato. Já em 1848, ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, onde criou a Revista Mensal da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano.

O escritor Álvares de Azevedo.
O escritor Álvares de Azevedo.

O poeta foi obrigado a abandonar o curso de Direito em 1851, devido a problemas causados pela tuberculose. No ano seguinte, em 1852, sofreu um acidente de cavalo e, como resultado, foi acometido por um abscesso na fossa ilíaca. Acabou falecendo, depois de uma cirurgia, em 25 de abril de 1852, com 20 anos. Assim, muito do que se sabe sobre a vida do escritor deve-se às 69 cartas que ele escreveu, tanto para a família quanto para seu amigo Luiz Antonio da Silva Nunes (1830-1911).

Segundo o teor de suas cartas, é possível perceber que Álvares de Azevedo comportava-se, na maioria das vezes, como um típico poeta romântico. Elas revelam um jovem melancólico, que preferia o isolamento, dedicado aos estudos, à leitura e à escrita, que experimentava o tédio e, inadaptado às convenções, lançava um olhar crítico sobre as práticas burguesas.

Características literárias de Álvares de Azevedo

As obras do escritor Álvares de Azevedo estão inseridas na segunda geração romântica, também conhecida pelas seguintes qualificações: “byroniana”, “ultrarromântica” ou “mal do século”. Assim, elas apresentam as seguintes características:

  • Subjetivismo

  • Evasão na morte

  • Saudosismo

  • Pessimismo

  • Sentimento de angústia

  • Sofrimento amoroso

  • Escapismo

  • Exagero sentimental

  • Marcas do isolamento social do poeta

  • Extrema idealização: da vida, da mulher e do amor

  • Amor e morte como temáticas principais

  • Locus horrendus (lugar tempestuoso)

  • Fuga da realidade

Obras de Álvares de Azevedo

As obras do escritor foram reunidas em edição póstuma intitulada Obras de Manuel Antônio Álvares de Azevedo, em 1862. As principais são:

  • Lira dos vinte anos

  • O poema do frade

  • O conde Lopo

  • Macário

  • Noite na taverna

  • O livro de Fra Gondicário

  • Poemas irônicos, venenosos e sarcásticos

Assim, esse poeta, o maior representante da segunda geração romântica, cantou a morte em seus versos e a mulher vaporosa, de sonho, a mulher idealizada, como podemos constatar no poema “Meu anjo”, do livro Poemas irônicos, venenosos e sarcásticos. Nesse texto, o eu lírico caracteriza a mulher amada da seguinte forma: “anjo”, “encanto”, “maravilha”, com seios “alvos” e “macios”, “vaporosa” (pois irreal, de sonho), “fronte angélica”, “formosa”, “leviana” e “bela”.

A mulher idealizada é chamada de “criatura vaporosa”, pelo poeta, porque não é real.
A mulher idealizada é chamada de “criatura vaporosa”, pelo poeta, porque não é real.

No entanto, essa visão desperta no eu lírico a tristeza e a morbidez, como se pode ver nos seguintes versos: “Triste de noite na janela a vejo”, “Entorna ao sangue a luz do paraíso…/ Dá morte num desdém”. Ele finaliza sua poesia com o pessimismo romântico típico dessa segunda geração:

Meu anjo

Meu anjo tem o encanto, a maravilha
Da espontânea canção dos passarinhos;
Tem os seios tão alvos, tão macios
Como o pelo sedoso dos arminhos.

Triste de noite na janela a vejo
E de seus lábios o gemido escuto.
É leve a criatura vaporosa
Como a frouxa fumaça de um charuto.

Parece até que sobre a fronte angélica
Um anjo lhe depôs coroa e nimbo...
Formosa a vejo assim entre meus sonhos
Mais bela no vapor do meu cachimbo.

Como o vinho espanhol, um beijo dela
Entorna ao sangue a luz do paraíso.
Dá morte num desdém, num beijo vida,
E celestes desmaios num sorriso!

Mas quis a minha sina que seu peito
Não batesse por mim nem um minuto,
E que ela fosse leviana e bela
Como a leve fumaça de um charuto!

É do mesmo livro um dos poemas mais famosos de Álvares de Azevedo, intitulado “Se eu morresse amanhã!” e interpretado, por alguns leitores, como um presságio da própria morte do poeta. Nesse poema, o eu lírico menciona a possível glória (o reconhecimento) e o amor que ele perderia se morresse amanhã, mas também menciona a dor que acabaria se ele morresse amanhã:

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar os olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito,
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos,
Se eu morresse amanhã!


Lira dos vinte anos

Capa do livro “Lira dos vinte anos”, de Álvares de Azevedo, publicado pela editora L&PM. [1]
Capa do livro “Lira dos vinte anos”, de Álvares de Azevedo, publicado pela editora L&PM. [1]

O livro de Álvares de Azevedo, Lira dos vinte anos, é sua obra mais conhecida e apreciada pela crítica. É um livro de poesias dividido em três partes. A primeira parte possui poemas como “No mar” e “Sonhando”, em que as figuras da mulher idealizada e da morte entrelaçam-se para comporem os anseios do eu lírico.

segunda parte é conhecida, principalmente, pelo prefácio do autor, que, com ironia e certo amargor, assim a apresenta:

“Aqui dissipa-se o mundo visionário e platônico. Vamos entrar num mundo novo, terra fantástica, [...].

Há uma crise nos séculos como nos homens. E quando a poesia cegou deslumbrada de fitar-se no misticismo, e caiu do céu sentindo exaustas as suas asas de ouro. O poeta acorda na terra. Demais, o poeta é homem. Homo sum, como dizia o celebre Romano. Vê, ouve, sente e, o que é mais, sonha de noite as belas visões palpáveis de acordado. Tem nervos, tem fibra e tem artérias — isto é, antes e depois de ser um ente idealista, é um ente que tem corpo. E, digam o que quiserem, sem esses elementos, que sou o primeiro a reconhecer muito prosaicos, não há poesia.

[...]”

Além disso, possui textos como o longo poema “Um cadáver de poeta” e “Boêmios” — a “comédia não escrita”, como a definiu o autor —, que retratam o poeta da segunda geração. O primeiro traz a imagem depressiva de um poeta solitário que morreu de fome e não teve nem felicidade nem reconhecimento em vida. Já o segundo texto mencionado fala sobre o poeta Nini e seus sonhos, ridicularizados pelo bêbado Puff.

Por fim, na terceira parte, é possível ler, entre outros, os poemas “Pálida imagem” e “Página rota”. No primeiro, o eu lírico fala de sua paixão, durante a mocidade, por uma mulher pálida, que pode ser uma mulher de sonho, de fantasia, ou uma jovem amada doente, à beira da morte, ou mesmo a própria morte personificada. Já o segundo fala do sonho do eu lírico de poder ser feliz no amor com uma tal “pálida mulher”. A presença da mulher pálida é recorrente na poesia da segunda geração romântica.


Frases de Álvares de Azevedo

A seguir, algumas frases de Álvares de Azevedo que merecem destaque. Elas foram retiradas de cartas que o autor escreveu para o seu melhor amigo, Luiz Antonio da Silva Nunes:

“Às Santas adora-se, mas não ama-se.”

“É bem doce o pensamento de ter-se um amigo ainda que ausente.”

“Cada qual dá o que tem — dar-te-ei versos, já que só isso tenho.”

“Enquanto houver vida em minha alma, haverá nela uma lembrança tua.”

“É uma sina minha que eu amasse muito, e que ninguém me amasse.”

“Quando o tédio vem de dentro, não é o sorrir dos bailes que possa adoçá-lo.”

“Assim como eu te amo, ama-me.”

Já no prefácio de Lira dos vinte anos, destacamos estas duas impactantes frases:

“O poeta acorda na terra.”

“Nos mesmos lábios onde suspirava a monodia amorosa, vem a sátira que morde.”

Crédito da imagem

[1] L&PM Pocket (Reprodução)

Publicado por Warley Souza


Casimiro de Abreu

 Casimiro de Abreu foi um dos poetas mais importantes do romantismo brasileiro. Filiado à segunda geração desse movimento artístico-literário, o autor, apesar de ter morrido muito jovem, aos 21 anos, deixou uma obra extremamente representativa do que foi o movimento romântico no país, um de seus principais poemas o famoso “Meus oito anos”.


Biografia de Casimiro de Abreu

O poeta Casimiro José Marques de Abreu, mais conhecido como Casimiro de Abreu, nasceu em Barra de São João (distrito da cidade que leva seu nome), estado do Rio de Janeiro, em 4 de janeiro de 1839.

Era filho do rico comerciante e fazendeiro português José Joaquim Marques Abreu e de Luísa Joaquina das Neves. Seu pai não residia com a mãe, o que fez com que sua família fosse vítima de preconceitos. Passou a maior parte da infância morando na fazenda materna, no município de Correntezas. Ele teve acesso somente à instrução primária, estudando dos 11 aos 13 anos no Instituto Freeze, em Nova Friburgo.

Em 1852 foi para a capital praticar o comércio, influenciado pelo pai, apesar de não gostar dessa atividade. Em 1853 viajou para a Portugalocasião em que iniciou, em Lisboa, a carreira literária, publicando um conto e escrevendo a maior parte de seus poemas, os quais homenageavam, em tom saudosista, as belezas do Brasil.

Casimiro de Abreu, apesar de ter morrido muito jovem, marcou o romantismo brasileiro.
Casimiro de Abreu, apesar de ter morrido muito jovem, marcou o romantismo brasileiro.

Em Portugal também compôs o drama Camões e o Jau, texto representado no teatro D. Fernando, em 1856, com grande sucesso de público. Ainda na Europa, colaborou na imprensa portuguesa ao lado do escritor português Alexandre Herculano. Sua participação no meio jornalístico possibilitou, em 1856, que o jornal O Progresso imprimisse o folhetim “Carolina”, e que a revista Ilustração Luso-Brasileira publicasse os primeiros capítulos de “Camila”.

Em 1857, voltou ao Rio de Janeiro, onde colaborou em alguns jornais, como A MarmotaO EspelhoRevista Popular e Correio Mercantil. Nesse último jornal, tinha como colegas de trabalho os escritores, Manuel Antônio de Almeida e Machado de AssisPublicou As primaveras em 1859.

Em 1860, seu pai faleceu. Casimiro de Abreu, doente de tuberculose, saiu da capital em busca de um clima ameno em Nova Friburgo. Sem obter melhora, recolheu-se em uma fazendo no município que hoje leva seu nome, onde faleceu aos 21 anos, em 18 de outubro de 1860. O poeta é o patrono da cadeira número 6 da Academia Brasileira de Letras.

Características literárias da obra de Casimiro de Abreu

Casimiro de Abreu é um escritor ligado à segunda geração do romantismo brasileiro, também conhecida como ultrarromantismo. Suas obras apresentam as seguintes características:

  • Nostalgia da infância
  • Saudade da terra natal
  • Apreço pela natureza
  • Religiosidade
  • Patriotismo
  • Idealização da mulher amada
  • Preferência pela estrofe regular
  • Externalização de emoções ingênuas e juvenis

Obras de Casimiro de Abreu

  • Poesia

  • As primaveras (1859)
  • Prosa 

  • Carolina (1856)
  • Camila: memórias de uma virgem (1856)
  • Teatro

  • Camões e o Jau (1856)

Poemas de Casimiro de Abreu

Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

(Fragmento)

Em “Meus oito anos”, o mais famoso poema de Casimiro de Abreu, observa-se traços que marcaram toda sua produção literária. A voz poética, em primeira pessoa, rememora, com muita nostalgia, passagens de sua infância em meio à natureza. Esse momento de sua vida, revisitado de forma idealizada, contrasta-se com o momento presente, em que o eu lírico vê-se envolto em “mágoas”.

Assim, a idealização da natureza que constitui seu quintal na infância, além da idealização desse período de sua vida, constitui um dos pilares do romantismo brasileiro, movimento do qual Casimiro de Abreu faz parte como um de seus mais importantes nomes.

Deus

Eu me lembro! Eu me lembro! — Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia,
E, erguendo o dorso altivo, sacudia,
A branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
"Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver de maior do que o oceano
Ou que seja mais forte do que o vento?"

Minha mãe a sorrir, olhou pros céus
E respondeu: — Um ser que nós não vemos,
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão, meu filho, é Deus.

Em “Deus”, a natureza também é destacada por uma voz poética em primeira pessoa, a qual, assim como em “Meus oito anos”, rememora passagens da infância. Com um tom muito nostálgico, o eu lírico relembra um momento em que, estando à beira do mar com sua mãe, espanta-se com a força das ondas, imaginando, inicialmente, que não haveria elemento mais forte que aquele no mundo, ao que sua mãe responde que Deus seria esse elemento.

Há, portanto, no poema, além do saudosismo e da exaltação da natureza, uma outra vertente romântica também cultivada por Casimiro de Abreu: a religiosidade cristã.

Publicado por Leandro Guimarães

Gonçalves Dias

 Gonçalves Dias é um escritor brasileiro da primeira geração romântica. Ele nasceu em 10 de agosto de 1823, no estado do Maranhão, e morreu, vítima de um naufrágio, em 3 de novembro de 1864. Filho de um português e de uma brasileira descendente de índios e negros, o poeta estudou em Portugal, onde compôs o seu famoso poema Canção do exílio, em 1843.

Como principal representante da primeira fase da poesia romântica brasileira, suas obras trazem uma perspectiva indianista e nacionalista, em que o índio idealizado e a floresta são símbolos máximos da nacionalidade brasileira. Além de poemas nativistas, ele escreveu poesia de cunho amoroso, em que se percebe a idealização da figura feminina tão característica do romantismo.


Biografia de Gonçalves Dias

Gonçalves Dias.
Gonçalves Dias.

Gonçalves Dias (Antônio Gonçalves Dias) nasceu em 10 de agosto de 1823, em Caxias, no Maranhão, e morreu em 3 de novembro de 1864, em um naufrágio. Seu pai era português e sua mãe, de descendência indígena e negra. Era, portanto, o poeta resultado da mistura das três raças que deram origem ao povo brasileiro. No entanto, em 1829, o pai casou-se com outra mulher e levou o filho com ele.

Em 1838, após a morte do pai, Gonçalves Dias foi para Portugal, com o intuito de estudar Direito, em Coimbra, e formou-se em 1845. No ano seguinte, em 1846, ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde viveu até 1854. Em 1846, sua peça de teatro Leonor de Mendonça foi censurada pelo Conservatório Dramático do Rio de Janeiro com a justificativa de que havia incorreções na linguagem. Em 1849, passou a trabalhar como professor de latim e história no Colégio Pedro II. No mesmo ano, foi um dos fundadores da revista Guanabara.

Em 1851, viveu uma desilusão amorosa, quis casar-se com a jovem Ana Amélia Ferreira do Vale (1831-1905), mas a mãe da moça não permitiu o casamento, por ser o poeta “bastardo” e filho de uma “mestiça”. Ele acabou se casando, em 1852, com Olímpia Coriolano da Costa. O casamento não deu certo e, legalmente, acabou em 1856.

“De 1854 a 1858, Gonçalves Dias morou na Europa, onde trabalhou na Secretaria dos Negócios Estrangeiros. Já no Brasil, em 1861, ele viajou pelo Norte do país, pois fazia parte da Comissão Científica de Exploração. No entanto, em 1862, voltou à Europa para tratar de problemas de saúde relacionados à tuberculose, e foi na volta para o Brasil que ele morreu no naufrágio do navio Ville de Boulogne.”

Características literárias de Gonçalves Dias

Gonçalves Dias faz parte da primeira geração do romantismo no Brasil, também chamada de “indianista” ou “nacionalista”, portanto, são características de suas obras:

  • Perspectiva indianista: o índio como personagem principal

  • Nacionalismo ufanista: enaltecimento da pátria

  • Cor local: características da floresta e da cultura indígena

  • Herói nacional: indígena brasileiro

  • Símbolos nacionais: índio e floresta

  • Bucolismo: idealização da natureza

  • Amor idealizado

  • Mulher idealizada

  • Perspectiva teocêntrica

  • Retomada de valores medievais


Obras de Gonçalves Dias

Poesia

  • Primeiros cantos (1846)

  • Segundos cantos (1848)

  • Sextilhas de frei Antão (1848)

  • Últimos cantos (1851)

  • Os timbiras (poema épico indianista) (1857)

Prosa

  • Meditação (1846)

  • Memórias de Agapito (1846)

Teatro

  • Patkull (1843)

  • Beatriz Cenci (1843)

  • Leonor de Mendonça (1846)

  • Boabdil (1850)

Exemplos de poemas de Gonçalves Dias

Apesar de ter escrito algo de prosa e peças de teatro, Gonçalves Dias é mais conhecido e respeitado pela sua poesia. Entre as suas “poesias americanas”, isto é, indianistas, um dos poemas mais aclamados é “I-Juca-Pirama”, publicado no livro Últimos cantos. Esse poema épico conta a história de um guerreiro indígena tupi, capturado pela tribo rival, que será devorado em um ritual de antropofagia:

Por casos de guerra caiu prisioneiro
Nas mãos dos Timbiras: — no extenso terreiro

Assola-se o teto que o teve em prisão,
Convidam-se as tribos dos seus arredores,
Cuidosos se incumbem do vaso das cores,
Dos vários aprestos da honrosa função.

Esse guerreiro tem um pai velho e cego. Preocupado com o pai, ele pede para continuar a viver, pois é seu único apoio. Os timbiras entendem esse apelo como um ato de covardia, e, na prática antropofágica, os índios acreditavam que assimilavam as características da pessoa devorada, então jamais devorariam um covarde. O chefe da tribo manda soltar o prisioneiro e justifica-se:

— Mentiste, que um Tupi não chora nunca,
E tu choraste!... parte; não queremos
Com carne vil enfraquecer os fortes.

Humilhado, o índio tupi volta para o seu pai. Ao saber do que aconteceu, o pai pede ao filho que o leve até a tribo dos timbiras, onde entrega seu filho ao chefe para ser devorado. No entanto, o chefe rejeita a oferta, pois acredita que o jovem guerreiro é um covarde. O pai, revoltado, diz ao filho:

Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?

Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
Possas tu, descendente maldito
De uma tribo de nobres guerreiros,
Implorando cruéis forasteiros,
Ser a presa de vis Aimorés.

Esse é o ápice do poema, que, na sequência, vai centrar-se na honra do povo tupi, pois o jovem guerreiro precisa mostrar que é corajoso, voltar a ser o orgulho de seu pai e de sua tribo, mas, para isso, o chefe timbira precisa ser convencido. Dessa forma, esse poema indianista e nacionalista é uma metáfora do Brasil. O povo tupi representa o povo brasileiro, que precisa mostrar sua coragem e que não pode perder a sua honra, o seu orgulho nacional.

Nesse mesmo livro, é possível ler o seu poema lírico amoroso “Olhos verdes”. Nele, o eu lírico usa uma metonímia — olhos verdes — para referir-se ao ser amado:

São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança,
Uns olhos por que morri;
Que ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Tem luz mais branda e mais forte,
Diz uma — vida, outra — morte;
Uma — loucura, outra — amor.
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
[...]

Como se lê num espelho
Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma,
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!
[...]

Dizei vós; Triste do bardo!
Deixou-se de amor finar!
Viu uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos da cor do mar:
Eram verdes sem espr’ança,
Davam amor sem amar!
Dizei-o vós, meus amigos,
Que ai de mi!
Não pertenço mais à vida
Depois que os vi!

Veja tambémCastro Alves – vida e obra do “Poeta dos Escravos”

Canção do exílio

O sabiá é um de nossos símbolos nacionais.
O sabiá é um de nossos símbolos nacionais.

Canção do exílio, poema escrito em 1843, quando Gonçalves Dias estudava em Portugal, é a obra mais popular do autor. Aliás, um trecho desse poema foi inserido na letra de nosso Hino Nacional: “Nossos bosques têm mais vida/ Nossa vida, no teu seio, mais amores”.

É um poema que simboliza bem a essência da primeira geração romântica brasileira, pois tem cunho nacionalista. Obviamente, trata-se de um nacionalismo ufanista, que enaltece o país, com ausência de críticas, já que objetiva despertar nos brasileiros e brasileiras o amor pela sua pátria.

O poema já foi parafraseado e parodiado diversas vezes, e continua sendo um símbolo de nacionalidade. É composto em redondilha maior (sete sílabas poéticas), em consonância com a retomada que o romantismo faz da Idade Média, em que esse tipo de verso era usado em algumas cantigas trovadorescas. Nesse poema, o eu lírico afirma que não há lugar melhor do que o seu país e termina por criar dois símbolos nacionais: a palmeira e o sabiá:

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar, sozinho, à noite
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Publicado por Warley Souza
https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/goncalves-diaspoeta-ufanista.htm

sábado, 29 de agosto de 2020

Saudade

 Hoje tive saudades 

de quem pouco vi

o peito ardendo por causa

de um tempo que vivi


O mundo mudou tão rápido

que o meu coração, acostumou-se

a bater em descompasso

miro o amanhã com fé e

quero na volta um abraço


Paulo Eduardo Cipriano

Graduado em Letras - Língua Portuguesa


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Caçadas de Vida e de Morte - João Gilberto Rodrigues da Cunha

Em seu Caçadas de Vida e de Morte, o escritor explora o lado obscuro e vil dos homens, a par do que em muitos há de claro, íntegro e bom. Dois personagens dominam e conduzem a trama: José Albério, que vem parar na vila de Desemboque - na época uma cidade efervescente - depois de um golpe aplicado em São Paulo a seu patrão, quando se chamava ainda José Antônio de Almendra Silva, e Tonho Pólvora, rapaz trabalhador que chega ao Desemboque em busca de outros horizontes e perspectivas.






Minha Biblioteca - Paulo





" Primeiro , o Guimarães Rosa, esperto.

   Depois, o Mário Palmério!

"Agora o João Gilberto. Chama o Antônio, uais"

                   Mário Prata